Meninas muita atenção! Muitas mulheres estimuladas pelo forte desejo de se manterem magras, estão substituindo suas refeições pelo consumo do álcool. Saiba mais sobre esse transtorno alimentar que oferece vários riscos à saúde e compromete a beleza.
Temos um exemplo prático do comportamento de quem sofre de Drunkorexia, a atriz Bárbara Paz interpretando (Renata) em Viver a Vida . O sonho de se tornar famosa faz da moça uma verdadeira paranoica com a boa forma e a beleza. Sempre preocupada com a imagem, dificilmente ela aparece se alimentando. Seus companheiros fiéis são os drinks, que já a fizeram protagonizar situações pra lá de desagradáveis. E se engana quem pensa que casos assim existem apenas na ficção. Tal comportamento caracteriza um problema cada vez mais presente nos consultórios médicos: a drunkorexia (ou alcoolrexia, em português). “Esses termos, que não existem na linguagem médica oficial, foram criados para denominar a combinação de alcoolismo e anorexia, distúrbio que faz com que a pessoa deixe de se alimentar, temendo o sobrepeso”, explica Silvia Brasiliano, psicóloga e coordenadora do Programa de Atenção à Mulher Dependente Química (Promud), do Hospital das Clínicas (SP).
Inimigo disfarçado
Para os especialistas, um dos motivos que favorece o surgimento desse tipo de transtorno é a ditadura da beleza, que impõe padrões estéticos totalmente incompatíveis com a realidade das pessas.
Sendo assim, mulheres com a autoestima mal estruturada – que se importam muito com a opinião alheia e buscam seus objetivos com radicalismo e urgência -, tornam-se alvos fáceis da alcoorexia. A questão que causa mais estranhamento é o motivo (dentre tantas opções, como dietas, medicamentos e atividades físicas) de elas escolherem se aliar ao álcool na busca pelo corpo perfeito. “As bebidas alcoólicas, especialmente os destilados, reduzem um pouco o apetite. Para muitas pessoas, causam até uma certa sensação de enjoo diante da comida”, afirma Celso Cukier, nutrólogo do Hospital e Maternidade São Camilo (SP). No entanto, essa não é a única justificativa. Há também quem faça o caminho inverso e deixe a comida de lado para poder desfrutar de alguns goles a mais. “Nesse caso, a paciente adota um sistema de compensação, substituindo as calorias das refeições pelas da bebida que vai ingerir. Assim, não estoura o limite calórico diário que determinou”, explica Silvia Brasiliano.
Fica claro que, para essas pessoas, o álcool é tido como um aliado do emagrecimento, que pode facilitar (e muito) o processo. A favor dele, muitas pacientes relatam, ainda, que ficam mais calmas depois de algumas doses e, assim, não descontam a sua ansiedade na alimentação. Acontece, porém, que em todas as situações descritas, a fama de bom moço não passa de enganação. Além do risco de tornar-se um vício, o consumo de álcool não funciona no controle da compulsão alimentar decorrente da ansiedade. É verdade que, em um primeiro momento, ele pode até gerar uma sensação de conforto e relaxamento. Mas seu próximo passo é deixar a pessoa angustiada, com um enorme vazio dentro do peito. E muita gente ataca a geladeira para acabar com o mal-estar. Lembra da expressão “o feitiço vira-se contra o próprio feiticeiro”? É bem por aí.
Na contramão da beleza
Se de forma isolada o abuso do álcool e a anorexia já comprometem a saúde, imagine só quando combinados. Isso sem falar que, se o intuito é esbanjar mais beleza e bem-estar, privar o corpo de alimentação (abastecendo-o apenas com bebidas alcoólicas) representa um grande erro.
“O álcool oferece ao corpo um tipo de energia de baixa qualidade, muito similar à do carboidrato de alto índice glicêmico, que favorece o ganho de peso”, conta Celso Cukier. Trocando em miúdos, além de não fornecer o combustível necessário para o desempenho das atividades cotidianas, o álcool é armazenado em forma de gordura, especialmente na região abdominal. Mais uma vez ele mostra sua ineficácia na guerra contra a balança.
E os pontos negativos não param por aí. “Diante desse tipo de dieta, o organismo logo denuncia a carência de vitaminas e minerais essenciais para a realização de suas funções vitais. A pele também é prejudicada, pois perde a sua capacidade de renovação e cicatrização”, pondera o nutrólogo. Precisa de mais motivos? Então a gente pergunta: quem é que gosta de ficar próximo de alguém que espalha um odor desagradável no ambiente? Ninguém, em sã consciência, não é mesmo? Essa é outra razão para não extrapolar na bebida. O álcool atrapalha o funcionamento do sistema gástrico e, por isso, pode causar mau hálito. A transpiração também ganha um cheiro mais forte. Urgh!
Alerta vermelho!
De acordo com o psiquiatra e psicoterapeuta Marcelo Niel, colaborador do Programa de Orientação e Atendimento a Dependentes da Universidade Federal de São Paulo (Proadad), os portadores do distúrbio são, em sua maioria, mulheres solteiras, com idade entre 25 e 35 anos e perfil de alto nível sociocultural e de escolaridade. No entanto, pesquisadores canadenses levantaram que os primeiros sinais da drunkorexia costumam se manifestar ainda na adolescência, por volta dos 15 anos, quando se inicia a vida social de forma mais efetiva. “O problema é que essas pacientes só vão buscar ajuda depois de anos, quando a doença já está no auge”, comenta Silvia Brasiliano.
O tratamento deve atuar em duas frentes: a reeducação alimentar, feita com o auxílio de um nutricionista, para ajudar a paciente a adotar uma alimentação mais saudável, e que a leve a construir um corpo correspondente à sua estrutura; e o acompanhamento psicológico, que vai trabalhar a questão do vício e dos anseios que estimulam a adoção de atitudes tão prejudiciais. “O processo é lento, leva em média dois anos”, afirma Marcelo Niel.
Infelizmente, o comum é que as pessoas esperem vivenciar alguma situação social vexatória, como desmaiar em público ou vomitar, para só então procurar ajuda. “Se um amigo ou familiar diz que você está exagerando, é bem provável que esteja, mesmo. Para a mulher, a quantidade máxima considerada ideal é de 14 unidades de álcool por semana. Isso equivale, aproximadamente, a sete doses-padrão de destilados”, destaca Marcelo Niel. E já é bastante, não? Se puder escolher, vá de vinho tinto. Ele possui substâncias antioxidantes e seu consumo moderado favorece a saúde.
Então meninas nada de atitudes vexatórias! Cuidado para não desmaiar ou vomitar em púbico! Isso poderá ser um dício catastrófico de seus hábitos perante o alcool.
Bjinhos e at +



05 de Janeiro de 2010
Consulene 
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Abraços